quarta-feira, 13 de junho de 2012

17º DOMINGO COMUM - ANO B


Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

17º DOMINGO COMUM - ANO B

Jo 6,1-15

Pegou os pães, agradeceu a Deus e os distribuiu

Oração
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (João 6,1-15)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
6,1 Depois disso, atravessou Jesus o lago da Galiléia (que é o de Tiberíades.)
2 Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em beneficio dos enfermos.
3 Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos.
4 Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus.
5 Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?
6 Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer.
7 Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço.
8 Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
9 Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... mas que é isto para tanta gente?
10 Disse Jesus: Fazei-os assentar. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil.
11 Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam.
12 Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13 Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos.
14 À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo.
15 Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.
Palavra da Salvação.

Comentário


        A liturgia de hoje interrompe as leituras do Evangelho de Marcos e insere um trecho tirado do capítulo sexto de João - o que comumente chamamos o milagre da “Multiplicação dos Pães”. Logo, vale lembrar que este é o único milagre contado pelos quatro evangelhos, tanto pela tradição sinótica como da Comunidade do Discípulo Amado. Isso mostra claramente que, para as primeiras comunidades cristãs de diversas tradições, a história hoje relatada possuía um grande valor e uma mensagem muito importante.

Os quatro relatos seguem basicamente o mesmo fio da meada, com as divergências próprias a cada tradição e teologia. O enfoque mais “sacramental” ou “eucarístico” é do João, mostrando mais uma vez uma das características da comunidade do Discípulo Amado: a de ter uma teologia eucarística mais desenvolvida.
Embora seja um dos relatos mais conhecidos dos evangelhos, vale a pena sublinhar um elemento que talvez possa parecer estranho: embora nós sempre nos refiramos ao milagre da “multiplicação dos pães”, em nenhum dos quatro relatos usa-se o verbo “multiplicar”! Usam-se outros termos nos quatro evangelhos: “pegar”, “benzer” “distribuir”, “partilhar”! Não é o caso de discutir aqui o que foi que Jesus fez! Nem teríamos condições de descobrir. O enfoque é outro. Se os evangelistas tivessem colocado a ênfase sobre o “multiplicar”, ou seja, sobre o estritamente milagroso, então a história não teria grandes conseqüências para nós hoje, pois nós não temos o poder de fazer milagres! Mas, colocando a ênfase sobre a o “partilhar” e o “distribuir”, então os evangelistas nos desafiam hoje! Pois, partilhar e distribuir estão ao nosso alcance!
No Brasil, com tanta gente assolada pela injustiça e miséria, não precisamos multiplicar nada! O Brasil não precisa multiplicar terras - somos um dos maiores países do mundo! Nem precisa multiplicar a renda - somos a oitava ou nona potência econômica do mundo! Não! O que precisamos é de uma partilha e uma redistribuição das terras e da renda. O que precisamos é uma mudança de mentalidade, de coração e das estruturas, e não milagres paliativos. A história de João e dos outros evangelistas insiste que a solução para a carência se acha na solidariedade, na partilha e na redistribuição, a partir da nossa fé no Deus da Vida.
Outro elemento importante no relato joanino do evento é a atuação do menino que tinha cinco pães de cevada e dois peixinhos - o seu lanche. Mesmo sendo suficiente somente para ele, ele dispõe dos pães e peixes, através do André. Esse gesto de partilha, abençoado por Jesus, faz com que todos se fartem! O relato ressalta que foram pães de cevada - a comida do pobre. Também aqui há uma releitura de um evento na vida do profeta Eliseu, que também “multiplicou” pães de cevada (2Rs 4, 42-44). Sem a colaboração deste rapaz simples, oferecendo o pouco que tinha, Jesus não poderia ter alimentado essas pessoas. Assim, o texto nos desafia para descobrirmos quais são os “cinco pães de cevada” que cada um tem, e de colocá-los a serviço da comunidade. Quando todos partilham o pouco que têm, sobrará! Quando cada um que tem algo segura para si, falta para muitos!
Já mencionamos que João, colocando o relato no capítulo sexto, onde tem o discurso do Pão da Vida, focaliza o aspecto eucarístico. Participar da Eucaristia é comprometermo-nos com o mundo de solidariedade e partilha, onde os bens materiais - mais do que suficientes - serão distribuídos e partilhados, criando assim, de uma maneira real entre nós, o Reinado de Deus. Como diz um canto de comunhão, “Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar”. A mensagem da “multiplicação” dos pães incomoda, e muito, pois aponta para as consequências da nossa participação na Eucaristia!

Salmo 144/145

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem
e os vossos santos, com louvores, vos bendigam!
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino
e saibam proclamar vosso poder!

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam,
e vós lhes dais no tempo certo o alimento;
vós abris a vossa mão prodigamente
e saciais todo ser vivo com fartura.

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

É justo o Senhor em seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que o invoca lealmente.

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!





Nenhum comentário:

Postar um comentário